Escândalo numa Família Distinta Portuguesa

O Escândalo na Família Nobre

É o fim! lamentou-se Lídia Soares, passando suavemente um lenço branco pelos cantos dos olhos e soltando um suspiro tão dramático que Manuel Soares, seu marido, logo ficou alarmado.

Lídia, que se passa?! As tuas gotinhas?!

Ah, deixa as tuas gotinhas para lá, Manuel! Não percebes?! Isto é uma vergonha! Vergonha! A nossa família toda ficou desonrada! Olha bem para ela! Nem remorsos ela sente!

A única herdeira dos Soares, de facto, não parecia minimamente arrependida. Não estava em prantos, não se cobria de cinzas nem se torturava em desespero. Nada disso.

Leonor Soares petiscava cerejas. De pernas longas, consideradas perfeitas pela mãe tal e qual as da avó, bailarina do São Carlos pousava-as nas grades da varanda enquanto atirava os caroços para o jardim. Os gestos dela provocavam em Lídia sempre um desespero profundo.

Leonor! Pára já com isso! Que maneiras são essas?! Temos um assunto sério, e tu comportas-te assim?!

Lídia levantou os braços num gesto indignado e saiu para tomar as suas gotinhas calmantes.

Leonor, minha filha, estás mesmo a falar a sério? Manuel olhou com esperança para a filha, antes de seguir Lídia.

Estou sim, pai! E, por favor, transmite à mãe que todo o esforço para continuar este noivado está condenado ao fracasso. Não caso com o Martim. Nem vale a pena insistir.

Vais partir o coração da tua mãe!

Não exageres, pai.

Não queres mesmo repensar?

Não. Já hoje conversei com o Martim sobre isso. Se não percebeste da primeira vez, repito: não vou casar.

Ai de mim

As lamúrias e soluços vindos da sala fizeram Manuel correr em auxílio da esposa, enquanto Leonor se servia de mais uma cereja.

Meu Deus, o que vou eu dizer a toda a gente?! Isto é horrível! O restaurante está reservado e os convites já enviados!

Mãe, eu nunca te pedi para os enviares! cantou Leonor, sem levantar o tom. Decidiste sozinha, agora resolve sozinha.

Isso é crueldade, filha! Só queria o melhor!

E saiu como sempre, não foi, mãe? Leonor sorriu, espreguiçando-se. Tenho os meus próprios planos para a minha vida! Que chatice, não é?

Leonor! O tom de Lídia falhou e ela voltou aos soluços. O que te passa pela cabeça?!

Por enquanto, nada de especial! Leonor levantou-se, recolheu as chávenas frias da mesa, ignorada, e afastou a mãe. Já sei tudo o que me vais dizer! Consigo lavar três chávenas sem as partir, não te preocupes.

Leonor foi para a cozinha e Lídia pousou, derrotada, o lenço de lado.

Ela é igualzinha à tua mãe! atirou Lídia ao marido. Até o timbre é igual! Ó céus, que castigo o meu!

A sogra, lendária D. Margarida Almeida, Lídia nunca suportou desde o início. Casou já madura, certa de possuir experiência e sabedoria em sobra, esperando respeito da sogra. Mas D. Margarida estava noutra sintonia. Não tencionava mudar uma vírgula no seu jeito de ser só porque havia mais alguém na casa.

Lídia, querida, que cheiro é esse? murmurava ao ouvido da nora, tapando o nariz de forma discreta.

É o meu novo perfume! respondia Lídia, de sobrancelha levantada. Não gosta?

Se calhar até é bom, mas não é preciso despejar o frasco inteiro. Um toque no pulso bastava.

Lídia, de facto dada a exageros nos perfumes, ficava magoada e calada.

Que lhe fiz eu? lamentava Lídia ao marido. Porquê isto?

Lídia, querida, a minha mãe fala assim com todos. É o jeito dela.

Pois então que mude de jeito ou não respondo por mim! E pára de me chamar querida! Detesto!

D. Margarida continuava igual. As suas observações finas ou até ácidas irritavam Lídia vezes sem conta, o que levou a algumas discussões e um ligeiro afastamento entre Manuel e a mãe até ao dia em que, certa vez no Teatro Nacional, alguém comentou com Lídia:

Dona Lídia, tornou-se uma dama! Vê-se que D. Margarida lhe passou o estilo! Mulher de categoria! E que elegância! É de louvar ter uma cópia tão graciosa por perto!

Comparação com a sogra, Lídia detestou, mas o elogio caiu bem. Afinal, D. Margarida era realmente um ícone de estilo. Assim, Lídia calou-se. Era inteligente e sabia tirar conclusões, mesmo a contragosto.

Manteve a sogra à distância, com cordialidade. E quando nasceu Leonor, esqueceu qualquer mágoa. D. Margarida adorava a neta e passava com ela todo o tempo permitido.

Na família de artistas tirando Lídia, dentista reinava paz e harmonia. Leonor cresceu bem cuidada, mimada pela avó e pelo pai, com a mãe mais exigente a desejar-lhe sempre um futuro melhor.

Sobre seu passado, Lídia nunca falou. Manuel sabia por alto, mas nunca insistiu. Lídia agradecia-lhe esse respeito. Cortara com tudo, focando-se no presente.

Não falava com a própria mãe, por razões graves. No medalhão ao pescoço, guardava a foto de um menino de caracóis. Nunca conseguia abri-lo Lembrava-se bem que o filho, Pedro, com dois anos, ficou sozinho por breves minutos quando a avó saiu por leite. No calor, com janelas abertas, o berço ao lado, o destino foi fatal

Perder o filho destruiu-a. Lídia não comia, nem dormia, nem pensava direito Culpava-se por não ter tomado pausa dos estudos e por não estar lá naquele dia fatídico, ocupado com um exame.

O marido, em expedição, nem chegou a tempo de se despedir do filho. Divorciaram-se logo. Viveram apenas três anos juntos, e logo ela percebeu que um filho não mudaria nada.

Quando tudo terminou, Lídia arrumou uma mala pequena e nunca mais voltou à terra da infância. Sentia-se uma idosa. Julgava ter conhecido toda a dor humana e restava-lhe apenas cinza no peito

Assim lhe parecia

Depois apareceu Manuel.

Veio consultá-la já com o rosto inchado.

Há muito tempo tem isto?

Uma semana já.

Então e age como criança? Não entende nada de saúde?

Tem razão, não percebo nada sorriu Manuel, entre dores.

Nessa altura, Lídia calou-se e até trocou os instrumentos o que era inédito! Ficou tão vermelha que Manuel fechou os olhos para não envergonhá-la mais.

Trabalhou calada, mas com leveza há muito perdida.

Durante um ano, Manuel esperava-a à saída do consultório e levava-a a casa. Quase não falavam, mas compreendiam-se. E quando, por fim, Manuel pediu Lídia em casamento, ela hesitou.

Gosto muito de ti Mas não sei se te consigo fazer feliz

Porquê essa dúvida?

Não quero ter filhos.

Porquê?

Um dia conto, mas sem detalhes. Depois pensas e, se amanhã não apareceres, tudo bem. Pensa contigo e com a tua mãe. Pela tua cara, gostas dela. Pede-lhe conselho.

Mas Manuel já não precisava de conselhos. D. Margarida, aliás, não era dada a interferir na vida alheia, exceto, talvez, com Lídia, e isso só muitos anos depois. Ela até brincava: Depois da reforma, fiquei igualzinha àquelas sogras dos contos! Saíra cedo do palco e, antes do anúncio do casamento do filho, já casara e descasara duas vezes.

Manuel contou tudo sobre Lídia à mãe. D. Margarida, de cigarro numa chávena, foi ficando séria ao escutar. No final, suspirou fundo e apenas perguntou:

Gostas mesmo dela?

Amo.

Então larga as dúvidas. O amor, filho, é tesouro raro. Pague-se o que se pagar por ele, será sempre pouco. E outra: um tesouro verdadeiro pesa. Às vezes parece demais, mas vais encontrar força, se entenderes o que ganhaste.

Acha mesmo?

Tenho a certeza.

Depois disso, Manuel apresentou Lídia à mãe, que beijou a futura nora e levou-a à sua costureira. Ainda abriu um pequeno estojo herdado do avô de Manuel.

Aqui estão as joias dos Soares.

Nem pense! Não preciso!

Vais usar sim. Agora és uma de nós. Escolhe o que quiseres, mas percebe: não são bugigangas. Têm de ser usadas com sabedoria.

E como é isso?

A minha avó dizia: ir ao mercado de Alfama de diamantes é do pior. Só em Lisboa, para fazer inveja à vendedeira de peixe e conseguir desconto!

E Lídia percebeu, com surpresa, que estava a rir algo que julgava esquecido.

D. Margarida ensinou-lhe tudo, e Lídia, mesmo a protestar, agradecia, no fundo. Quando soube estar grávida, contou primeiro à sogra, não ao marido.

Estás com um ar esverdeado, Lídia. O que tens? D. Margarida, de volta de uma viagem com novo marido, chegou para saber dos filhos.

Com Manuel fora, bombardeou Lídia com perguntas até esta fugir para a casa de banho por tanto tempo que Margarida entendeu o recado.

Vais ter o bebé com a Sofia. Melhor médica que conheço. Não tenhas medo.

Não sei se consigo

Lídia, não costumo falar assim, mas vai ouvir: não sejas tola! Agradece a Deus ou ao destino e vai à luta! Eu nunca te vou largar, percebeste?

Sim obrigada

Guarda o agradecimento para depois, quando eu for uma velha chata. Aí podes repeti-lo para mim. Combinado?

Sim.

Pronto!

Leonor nasceu saudável e aos gritos. Margarida recebeu-a ao portão da maternidade, abriu a manta de renda e exclamou:

Pura obra de arte! Estás de parabéns, Lídia!

E cumpriu a promessa: melhor ajudante, não havia. D. Margarida, bailarina e socialite conhecida, chegava, tirava o casacão caro, punha as mãos à obra: lavava fraldas com sabão azul e branco, que jurava ser melhor que qualquer detergente, lavava a Leonor e cobria de beijos.

Minha rica menina! Que tenhas sempre saúde!

As zangas foram esquecidas.

Lídia finalmente alcançou aquilo porque tanto ansiara família, lar e um pouco de paz.

Pedro não foi esquecido. Manuel levava Lídia à terra natal duas vezes por ano, mas ela nunca entrava na cidade nem via a mãe. Ficavam numa pequena pensão do subúrbio. Lídia contava os minutos para ir embora, após tratar dos assuntos por lá.

Assim passaram-se anos. Quando Leonor chegou aos dez, Lídia recebeu uma carta da mãe.

Só Margarida soube do conteúdo. Lídia mostrou-lhe a carta e pediu conselho.

Vai. Não vais esquecer. Perdoar, talvez também não. Mas é tua mãe. Lembra-te do que houve antes. Alguma coisa boa deve ter havido. Fala com essa mãe dos teus tempos de menina. Nenhum de nós é santo, filha. Todos erramos. Eu, tu, qualquer um. Não digo que te tornes santa num dia nem que perdoes de repente. Se não conseguires, paciência. É contigo. Mas tenho certeza: este encontro é mais para ti do que para ela. Senão, a vida toda te vais culpar, e a Leonor não merece isso. Decide mas o teu bem-estar é importante para mim e para ela. O resto? O resto é paisagem. E seja como for o que decidires, estarei ao teu lado. Vai lá!

No dia seguinte, Lídia despediu-se do marido, deixou Leonor com Margarida, e partiu.

A conversa com a mãe foi curta. Ela só acordou por minutos, o suficiente para apertar a mão da filha e sussurrar: Perdoa-me!

Lídia voltou passados dias. Margarida entregou-lhe a neta e assentiu:

Fizeste o que era preciso.

Parecia paz, afinal. Mas Lídia não a sentia. O medo, aquela teia pegajosa, começava a envolvê-la, bloqueando o raciocínio.

Ansiedade Um medo sem explicação, que até Manuel notou.

Estás a sufocar a Leonor, Lídia. Ela já é crescida, precisa de amigos, de interesses. Pai, mãe, avó é bom mas até certo ponto.

Não entendo o que queres de mim.

Que pares de controlar cada passo da nossa filha. Um pouco de liberdade pela-lhe bem.

Como? Lídia soltava-se como gata assanhada. E dizes-me tu isso?! Então não te importas nada com a tua filha?!

Claro que me importo! De que falas tu?!

Do que vejo! Assim não pode ser! Ela é rapariga, mil e uma coisas podem acontecer! Eu não aguentava perder outra vez, percebes?! Não aguentava!

E por que haveríamos de a perder?!

Porque tudo pode acontecer! Num instante a vida muda! E depois? Ficas a remoer o resto da vida? Enlouqueces! Por quem? De que serve então?!

A Manuel só restava abrir os braços. Amava a esposa, mas o medo dela envenenava a vida de todos.

Sem solução, não sabia o que fazer.

Mais uma vez, Margarida resolveu.

Põe a Leonor na dança.

Para quê, mãe? Já anda atarefada entre atividades e aulas.

Esquece isso. Precisa de danças de salão.

É assim tão importante?

Muito.

Está bem. Falo com ela!

Assim Leonor ganhou nova paixão. E conheceu Martim.

O rapaz, desajeitado e um pouco rechonchudo, levado pela avó para a escola de dança, ficou emparelhado com Leonor.

Que aprendam juntos. São altos demais para o nível, mas não faz mal, murmuravam os professores, sem imaginar que Leonor não era de ficar quieta num canto.

Em três anos, Martim e Leonor trouxeram o primeiro troféu. Pouco depois, eram presença assídua em torneios.

Martim já nada tinha de desajeitado: era um rapaz bonito e alto, que olhava para a parceira franzina de cima para baixo e os juízes estavam certos de haver romance.

Leonor sorria, nunca confirmando nem negando, sem saber dos planos da mãe para o seu futuro há muito programados.

Descobriu depois do baile de finalistas.

Finalmente decidi. Vou para Medicina.

Leonor, boa aluna, adiou ao máximo a decisão, ponderando todas as opções.

Filha, mas pensávamos que tinhas outros planos. Lídia sorria, mas de forma estranha, que fez Leonor estremecer.

Que planos? Disse alguma coisa?

Não. Mas falei com Martim e os pais dele.

E então? Leonor ainda não percebia aonde a mãe queria chegar.

Temos três meses. O casamento será no outono tão bonito! Falo com a avó, vemos um sítio à altura, ela tem contactos.

Casamento? Leonor franziu os olhos. E quem casa? Martim?

Ora, que tontas! Vocês formam um par perfeito, no salão e fora dele! Não é maravilhoso?

E perguntar-me, nem achaste necessário?

Achei que estava definido, querida.

Não me trates por querida! ripostou Leonor.

Pegou na mala e saiu disparada. Só à noite Lídia soube que a filha decidira ir viver um tempo com a avó.

Margarida só comentou:

O que esperavas? Leonor não é boneca. Pensaste que podias vesti-la de noiva e despachá-la para o altar sem mais? Lídia, sempre foste sensata! Não te reconheço!

Não preciso! É minha filha! Quero a felicidade dela! O Martim gosta dela!

E ela dele? Margarida sorriu irónica. Ou achas que a opinião dela não conta?

Eu sei melhor o que ela precisa! Nem ela sabe o que quer!

Sabes sim. Quer ser cirurgiã. Um sonho bonito, se perguntas a mim. Porque te incomoda?

Tudo! Pode estudar, claro! Mas antes, casar-se! Assim fico descansada!

E em que é que isso te deixa mais tranquila?

Não percebes? Com marido terá apoio. Martim é boa pessoa! Desde que começou a dançar com ela, durmo de noite porque sei que aquele rapaz fará tudo para protegê-la.

Entendo a tua preocupação concedeu Margarida. Mas não entendo a tua obsessão por fechá-la numa gaiola. Esse casamento é uma prisão, dourada, bonita, mas prisão. Não escolha dela, mas tua. Tu sabes isso.

Esta discussão não leva a nada. O casamento vai acontecer.

Pois sim! sorriu Margarida. Acho que desconheces a tua filha.

E Leonor mostrou de que era feita. Depois da conversa no alpendre, decidiu que estava na hora de mudar. Mudou-se para a casa da avó, magoando profundamente a mãe. Lídia não perdoou. Não ligava, não visitava. Só ficou a saber pela boca do marido que Leonor tinha passado nos exames e entrado na Faculdade.

Lídia, não achas que já chega de orgulho? Não era melhor abraçares a tua filha saudável e feliz do que agarrar-te a almofadas? Afinal, para quê tanto sofrimento? Fui lá vê-las. Leonor perguntou por ti, também se preocupa.

Claro! Aposto que nem liga se estou viva ou morta!

Lídia! Pela primeira vez desde que casaram, Manuel ergueu a voz. Isto já passou todos os limites! Ela é parte de ti! Era tão desejada, tão sonhada! O que mudou tanto? Rejeitas, sem pensar, quem é o teu fôlego?! Julgas que não vejo o teu sofrimento? Então explica: porquê este castigo? Não percebo!

Nem eu percebo! desabafou Lídia. Não sei o que fazer! Está tudo de pernas para o ar, não sei reverter nada Manuel, tu tens razão sem a Leonor, não respiro… Dói tanto que me parece tudo escuro, como quando perdi o Pedro

Lídia, basta! Manuel segurou-lhe nos ombros e sacudiu-a. Leonor está viva! Espera por ti! Prepara-te!

Para onde? Para quê?

Vou levar-te à tua filha! E tira da cabeça que só tu mandas na vida dela! Dá-lhe espaço para viver, não a trates como uma rosa de cristal, trancada atrás de sete chaves com medo que se parta!

Se foi a raiva do marido ou as palavras sentidas, não sei. Mas Lídia fez-lhe a vontade.

Houve reconciliação. E o que foi dito entre mãe e filha, trancadas no quarto de Margarida, só elas sabem. Nadinha jamais se contou. Mas, pelos narizes inchados e bochechas coradas de beijos, Manuel percebeu que as suas meninas encontraram a paz.

Mas o destino, esse gozão, achou pouca a harmonia na família. Observou Leonor avançar, firme no sonho, e lá engendrou uma partida das suas até D. Margarida se surpreendeu.

Doutora Leonor Soares, temos aqui um apêndice agudo.

Está certo. Quer dizer nem por isso! Vou já!

Leonor terminou o café, espreguiçou-se e foi ao bloco de urgências. O turno quase findava, mas recusava-se a perder oportunidade de aprender.

Tu?!

Eu Martim esboçou um sorriso, contorceu-se de dor.

Entendi! Vais confiar em mim?

Em ti? Claro!

Assim mesmo? Nem testamento, nem lamentos?

Leonor, que disparate!

Eu sei

Três anos depois, Leonor empurrou o portão da casa dos pais, soltando na entrada o filho.

Vá lá! Mostra à avó como corres! Mãe, apanha-o!

O pequeno Pedro gargalhou e correu para os braços da avó.

Meu tesouro! Tão bom ver-te!

Mãe, olá! E a avó está?

Está, claro! Lídia abraçou o neto, sorrindo. Foi para o Algarve! Novo romance!

A avó Margarida, sempre! E quem é ele?

Parece pintor. Ou escultor. Ou lá o que é Pára de me perguntar, que ela conta-te tudo quando voltar. E o Martim?

Está a estacionar.

Óptimo! O assado quase pronto, o pai tira a tarte do forno. Vão lavar as mãos, vamos comer! Só vou deitar o Pedro e já venho.

Ah, já sei vais ficar a cantar-lhe, claro!

Isso é mau? Lídia sorriu, beijando o neto.

É maravilhoso, mãe!

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