Eles Começaram a Viver Bem Imediatamente.

André e Natália começaram a vida juntos muito bem. Apaixonaram-se, realizaram um belo casamento e, desde o primeiro dia, moraram em sua própria casa. André construiu-a com seu pai. Era uma casa alta, imponente, com janelas grandes que olhavam para o quintal e para a rua. O quintal era espaçoso, com canteiros de flores. Nos fundos, havia instalações para os animais e uma horta grande, com canteiros alinhados que se estendiam até onde o sol nascia.

Os donos da casa estavam na faixa dos trinta anos, com seis crianças já correndo pela casa e pelo quintal, o que parecia justo e certo.

Porém, a irmã mais nova de André, Vera, que vivia na aldeia vizinha e havia tido filhos de pais desconhecidos, afundou na bebida e uma manhã não acordou após uma noitada.

André, sem hesitar, foi até lá. Natália, com os filhos e a casa, não pôde ir. Ele cuidou do enterro, como manda a tradição, e voltou para casa.

Ao chegar, estava no limiar da porta, segurando nos braços quatro sobrinhos. O mais novo, o Vovô, tinha quatro anos.

Natália sentou-se em uma cadeira, em silêncio, olhando. E as crianças também ficaram em silêncio, apenas observando. O que mais podiam fazer?

Natália enxugou as mãos no avental e disse:

– Nem sal tenho suficiente para temperar a sopa para tanta gente.

– A sopa, a gente toma até sem sal, – André respondeu com um sorriso.

E, então, Natália também sorriu. Afinal, o que mais ela poderia fazer?

Os primos imediatamente foram ajudar, desagasalhando os novos membros da família. A casa se transformara numa verdadeira família, agora com dez crianças para preencher aquele grande lar.

No verão seguinte, uma caravana cigana passou rapidamente pela aldeia, deixando um rastro de confusão. Muitas donas de casa deram falta de tapetes coloridos, galinhas e patos. Até mesmo um porquinho foi levado dos fundos da casa dos Sviridov!

Mas a casa de André e Natália foi poupada, E ainda receberam um presente.

Naquela noite, Natália foi para o alpendre e encontrou um embrulho de tecido vermelho. Ao abrir o pacote na mesa da cozinha, encontrou um menino moreno e bonito, com olhos de carvão, olhando curioso ao redor.

André deu uma espiada por cima do ombro da esposa e disse:

– Olha só, agora temos mais um rapaz na família. Vai diluir nossos cabelos claros com seus cachos pretos.

E o Vovô, que era o caçula até então, espiou por cima da mesa e exclamou:

– Papai, que sorte a nossa! Os ciganos levaram coisas de todo mundo, mas para nós deixaram o Vasquinho de presente!

E todos juntos se moveram para receber o novo irmão.

Tudo aconteceu como em qualquer família: os filhos cresceram, os pais envelheceram. André sempre ampliava a mesa da sala cada vez que um novo filho ou filha começava a ir para a escola, precisando de espaço para estudar. E assim fizeram, tudo juntos.

Quando a professora na escola falou sobre as dificuldades da adolescência, André e Natália, que sempre compareciam juntos às reuniões de pais, sentiram-se envergonhados por terem passado por cima disso com os outros filhos. Restava apenas não perder Vasquinho de vista.

Mas como poderiam perdê-lo se tudo estava tão bem? Na escola, ele se comportava bem. Em casa, aos catorze anos, fazia todo o trabalho masculino e ainda ajudava os outros.

As filhas casaram-se e foram viver com seus maridos. Os filhos também se casaram e cada um formou sua família.

Vasquinho serviu no exército e voltou para ajudar os pais. Tinha planos de ir à cidade estudar, mas acabava passando os verões cheio de sobrinhos, filhos dos irmãos.

Ele recebia a todos como príncipes. Preparava tudo. Colocava balanços no quintal e fazia uma caixa de areia para os pequenos, trazendo baldes de areia limpa do rio. Na cerca, para os que não podiam ir ao rio, montou um piscininha que enchia com água pela manhã para aquecer. Comprava patinhos e golfinhos de brinquedo para que parecesse o mar.

Assim, todos os verões, não eram os avós que esperavam a visita das crianças, mas o tio Vasquinho.

E ele se sentava no portão, quase com a barba cobrindo os olhos, e esperava. Ao avistar um sobrinho ou sobrinha, abria os braços num sorriso e as crianças corriam para ele, aconchegavam-se nas suas bochechas ásperas e sussurravam ao ouvido: “Tio Vasquinho, estava me esperando?”

Ele beijava cada um e respondia sem falta: “Claro que estava! Mais do que a todos!”

Mas a maior alegria vinha à noite, quando a louça estava lavada, as crianças estavam banhadas e era hora de dormir.

As crianças, todas elas, aguardavam ansiosas. Então, o tio Vasquinho levantava e dizia alto:

– Quem vem dormir no celeiro comigo hoje?

E todos gritavam, talvez como se gritava “viva” nas antigas celebrações…

Na manhã seguinte, bem cedo, a avó Natália subia ao celeiro para ver se alguma galinha aventureira não tinha botado um ovo ali, e encontrava um homem bonito, completamente feliz, dormindo no meio de um enorme tapete com as crianças aninhadas ao redor, como pintinhos – em seu rosto, braços, pernas. E dormiam todos, todos os doze.

Pois é.

André e Natália já tinham onze netos…

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