Nunca julgues um livro pela capa, nem uma pessoa pelo casaco que veste. Esta é a história de um duro ensinamento para quem põe o estatuto acima da humanidade. Lê até ao fim: o desfecho vai surpreender-te!
Cena 1: Stand de automóveis de luxo.
Reluzentes carros desportivos, cheiro a pele fina e polida. Mafalda, vestida com um vestido de alta-costura e uma mala de várias centenas de euros pendurada no braço, analisa atentamente um novo descapotável. Aproxima-se Diogo um homem de hoodie cinzento simples, jeans gastos e uns ténis vulgares. O sorriso dele é genuíno, os olhos brilham de alegria sincera.
**Diogo:** Mafalda? Não posso acreditar! Desde os tempos em que fazíamos turnos naquele cafézinho em Alfama que não te via. Como tens andado?
Mafalda examina-o de cima a baixo com evidente desdém, abraçando a sua mala de marca mais junto a si, como se receasse manchar-se.
**Mafalda:** Diogo? Olha, não tenho tempo para recordações. Só falo com quem tem futuro, não com quem ficou preso ao passado e ainda anda vestido como um miúdo. Saí daqui, estás a tapar-me o carro.
De repente, um gerente do stand, de fato impecável e gravata de seda, aproxima-se apressado. Ignora Mafalda por completo e curva-se respeitosamente na direção de Diogo.
**Gerente:** Senhor Baptista! Mil desculpas pela demora. A sua coleção privada está pronta para ser vista no nosso salão VIP. Quer que traga já as chaves daquele modelo exclusivo que reservou ontem?
O rosto de Mafalda fica repentinamente pálido. Ela congela, os olhos arregalados de surpresa. Só agora percebe que à sua frente não está apenas o miúdo do café, mas sim o dono da Baptista Investimentos, o mesmo que aparece nas revistas de negócios portuguesas.
**Diogo (fixando-a, calmo):** Então, Mafalda ainda achas que eu não tenho futuro?
FINAL DA HISTÓRIA:
**Mafalda (balbuciando):** Diogo, eu eu não fazia ideia! Estava só a brincar Talvez possamos ir tomar um café e conversar recordar os velhos tempos?
**Diogo:** Sabes qual é o teu problema? Só vês etiquetas, não vês pessoas. No café, eu era o mesmo Diogo de hoje. Só mudaram os números na conta bancária. O teu coração é que parece ter arrefecido.
Diogo vira-se para o gerente.
**Diogo:** Não é preciso as chaves. Já não quero comprar este carro. Não me apetece ficar num lugar onde se mede o valor das pessoas pelo que têm vestido. Vamos embora.
Sai sem olhar para trás. Mafalda fica ali, silenciosa no meio do luxo, a perceber que acabou de perder não só um antigo amigo, mas a possibilidade de uma vida completamente diferente. E tudo por orgulho.
Moral da história: O dinheiro compra roupa cara, mas não compra educação nem respeito.
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