E o apartamento, como fica? Prometeste-me! Vais arruinar a minha vida! O meu marido e eu estávamos …

E o apartamento? Prometeste-me que vais cumprir! Estás a estragar-me a vida!

O meu marido e eu estávamos cheios de alegria quando soubemos que o nosso filho ia casar. Antes do casamento, num segredo só nosso, contei-lhe que o queríamos surpreender com um apartamento como prenda. O Tiago quase deu pulos de contentamento quando lhe dei as boas notícias. Até os amigos todos dele ficaram a saber logo nesse dia. Estávamos atolados nos preparativos para o casamento quando, de repente, caiu-nos o mundo em cima.

A nossa filha, a Leonor, foi internada no hospital ainda de fato de trabalho, apanhada por uma doença brusca. O meu marido e eu largámos tudo e corremos para lá. Os exames mostraram um tumor e não havia tempo a perder tinha de ir logo para cirurgia. A verdade é que precisávamos de muito dinheiro, e depressa. Salvou-se por a termos apanhado a tempo.

Comprar um apartamento para o Tiago, naquela situação, era impossível. Lutámos para juntar cada cêntimo para o tratamento. A nossa sorte foi a família e os amigos, que não conseguiram fingir que não viam o nosso sofrimento. Cada um ajudou como pôde. Houve quem nos desse euros e dissesse para esquecer o assunto. Juntos, conseguimos o valor da operação.

Mas o nosso filho deixou-nos atónitos com o que disse.

Então e o meu apartamento? Prometeste! Agora estragas-me a vida.

Quando ouvi estas palavras do Tiago, senti tudo a girar e caí redonda. Como era possível? Tanto egoísmo! Era a irmã dele. Sempre foram dois irmãos, lado a lado, desde crianças. Como é que ele conseguiu comparar o casamento dele à cirurgia da irmã? Fiquei sem palavras. Mas o Tiago não se calou.

Porque é que ela tem tudo e eu não tenho nada?

Já não aguentei mais e gritei-lhe que não queria voltar a vê-lo. Pegou nas coisas e foi ter com a noiva. Ficámos sem nos falar durante duas semanas.

Nesse tempo, a Leonor foi operada. Felizmente, tudo correu pelo melhor. Passadas algumas semanas foi para casa. Não lhe contei uma palavra sequer sobre a atitude do irmão. Era uma humilhação; não valia a pena preocupá-la ainda mais. E o Tiago? Não telefonou, não perguntou pela irmã, não deu qualquer sinal de vontade de saber. Parece que, para ele, as chaves de um apartamento tinham mais valor do que a própria família.

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E o apartamento, como fica? Prometeste-me! Vais arruinar a minha vida! O meu marido e eu estávamos …