Maria nunca quis casar-se. Mas, aos 19 anos, engravidou de um colega de turma com quem namorava há três anos. Não teve alternativa não queria que o filho crescesse sem pai.
O rapaz, apesar de mais velho que Maria, era imaturo e tinha sempre dificuldade em assumir responsabilidades. Mesmo assim, não fugiu; afirmou que se casaria e criaria o filho. E assim começaram a preparar o casamento.
Maria teria preferido algo simples, mas os familiares insistiram numa cerimónia grandiosa. Ela não entendia por que deveria gastar uma fortuna em festas e convidados, quando poderia usar esse dinheiro para comprar tudo o que o bebé precisasse. Contudo, ninguém lhe deu ouvidos. Escolheram o restaurante, o vestido de noiva e os convites por ela. Quem? A sogra e a irmã!
Quando foi chamada para experimentar o vestido, não queria ir. Imaginava um vestido com mil babados e pedrarias, sem qualquer elegância. A irmã e a mãe do futuro marido nunca foram conhecidas pelo bom gosto. O seu protesto deixou-as furiosas e acusaram Maria de ingratidão. Mas ela não se importou; os seus problemas reais eram o exame de acesso à faculdade, as provas finais e os preparativos para a chegada do seu bebé.
Foi ao registo civil com um vestido branco simples, bonito e apropriado. E ali começou a confusão.
Os familiares dos recém-casados não sabiam que Maria decidira manter o seu apelido. O noivo, Rui, estava de acordo e não se opôs. Porém, a sogra ficou muito zangada e começou a protestar perante os convidados: Porque é que não queres mudar o teu nome?
Maria sorriu e afastou-se. No dia seguinte, haveria continuação uma festa na aldeia do marido, com todos os familiares dele. Era preciso poupar os nervos. O casamento durou apenas alguns anos. Rui provou ser um marido ausente e um pai pouco dedicado. Passava os fins de semana agarrado ao computador, ignorando a família. Quando Maria perdeu a paciência, arrumou as malas e partiu.
A sogra não ficou satisfeita com a decisão. Mas Maria respirou fundo finalmente sentia-se livre e feliz. E percebeu que às vezes, vale mais seguir o coração e preservar a própria liberdade, do que viver fazendo vontades alheias.







