Casei-me aos 50 anos, pensei que tinha finalmente encontrado a felicidade, mas nem imaginava o que o…

Casei-me aos cinquenta anos, na esperança de finalmente encontrar a felicidade, sem imaginar as surpresas que o destino me reservava

Sou uma daquelas mulheres que deixaram o casamento para mais tarde. Infelizmente, essa relação começou tarde, mas também terminou cedo.

Sempre me chamaram de sabichona, talvez porque gostasse realmente de estudar. Completei o meu mestrado e tornei-me bibliotecária. Um amigo apresentou-me ao homem que viria a ser o meu marido. Ele tinha cinquenta e nove anos mas, longe de se sentir derrotado, procurava companhia para o resto da vida. Eu era nove anos mais nova. O António conquistou-me de imediato com a sua educação, elegância e amor por poesia e literatura. Começámos a conversar e, passados uns meses, fez-me o pedido de casamento.

Aceitei sem hesitar; sempre desejei ter uma família. Depois do casamento, fomos viver para o meu apartamento, porque a filha do António já habitava a antiga casa dele com a família. Para ser sincera, não fazia ideia do que me esperava. Tinha vivido sempre sozinha e, de repente, tudo mudoue confesso que a revolta me dominava. Uma nódoa na toalha da mesa, a colcha da cama desalinhada, meias espalhadas pelo chão e tantas outras pequenas manias que nunca estiveram nos meus planos… Tudo me incomodava. Sentia que ele estava hospedado num hotel e eu passara a ser a responsável pelo serviço de quarto. Além disso, surgiram logo questões com o dinheiro. Perdi a paciência quando, a tentar consertar a torneira, acabou por estragá-la ainda maissó depois chamou o canalizador.

Nesse dia percebi que não queria viver à custa da minha paciência; já éramos adultos, com hábitos bem diferentes. Pouco depois tivemos uma conversa séria. Descobri então que ele, ao contrário de mim, estava satisfeito com tudo. Sempre fui uma mulher pacata, sem paciência para discussões, mas a situação tornou-se insustentável. Para piorar, a filha do António já fazia planos para o apartamento do pai, convicta de que ele moraria sempre comigo. Só ao fim de três meses aceitou o divórcio. Pediu-me, no entanto, que devolvesse todos os presentes que me tinha dado. A devolução de um cesto do lixo e de uma pequena corrente não me custou nada.

Esta história fez-me pensar: será mesmo possível construir uma vida familiar feliz depois dos cinquenta?…

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