A minha sogra decidiu vir morar no meu apartamento e dar o dela à minha cunhada – e o meu marido ach…

A minha sogra decidiu que vinha morar no meu apartamento e dava o dela à filha.

O meu marido, Miguel, cresceu numa típica família portuguesa: cheia de irmãos, primos, tias, e sempre com barulho de fundo. A minha sogra, Dona Júlia, fez filhos até nascer a princesa dela. Um método de planeamento familiar, digamos, invulgar, mas quem sou eu para julgar? Como se diz por cá, família grande, chatices também grandes.

Quando casei, achava-me uma sortuda. O Miguel parecia responsável, determinado, daqueles que sabem bem o que significa ter uma família. Só que um pormenor: não conseguia cortar o cordão umbilical com a mãe e a mana mais nova. A Dona Júlia nunca ligou muito aos rapazes, mas a filha sempre foi a menina-dos-olhos-dela.

A Leonor tinha 10 anos quando a conheci. No início, nada contra, mas cinco anos depois já me roía a paciência: não queria estudar, saía com rapazes duvidosos (daqueles que a mãe reza para não trazerem para casa!), e tudo o que era problema, marchava para cima do Miguel. Bastava um telefonema para ele sair disparado, fosse dia, fosse noite.

Eu tinha esperança que a Leonor crescesse, casasse e cada macaco no seu galho. Pois sim! Quando decidiu casar-se, a sogra lá pôs os filhos todos a apertar o cinto para o casamento, que dinheiro da Dona Júlia nem cheiro só promessas. O noivo, coitado, ganhava o ordenado mínimo. Moral da história: os recém-casados foram morar a casa da mãezinha.

Primeiro veio um filho, depois outro… A Dona Júlia, sufocada de tanta gente, descobriu o plano mais genial de sempre: mudava-se para minha casa e largava o apartamento para a filha. Resta um pequeno detalhe o apartamento fui eu que comprei com o meu suado dinheiro, euros guardados tostão a tostão! O Miguel? Nem um cêntimo. E ele ainda acha bem, diz: “A minha mãe vai ser uma ajuda!”

Só temos um T2. Não me está a apetecer abdicar do meu sagrado conforto nem partilhar a casa com mais ninguém. A minha sogra faz questão de lembrar que somos obrigados a recebê-la, porque o Miguel é o filho mais velho, logo, tem de tomar conta dos pais, como manda o Santo António e os ditados da aldeia.

Eu gosto muito do meu marido, nem pensar em divórcio. Agora, como é que lhe faço ver a luz? Como é que se explica que viver com a mãe dele é um purgatório? Se alguém tiver uma dica milagrosa, faça favor de partilhar!

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