A esperança não desapareceu de repente. Passou-se um ano inteiro sem qualquer notícia dele… Procurámo-lo por todo o lado. Colámos cartazes, ligámos para abrigos, telefonámos sem parar. Deixámos de dizer «quando ele voltar». E então, num dia como qualquer outro, aconteceu…

Tu nem imaginas, Rita, a esperança não se foi de repente. Passou um ano inteiro sem notícia nenhuma dele Procurámo-lo por todo o lado. Colámos anúncios nos postes, telefonámos a todos os canis e gatis, ligávamos a toda a hora. Chegou um ponto em que deixámos de dizer quando ele voltar e começámos a sussurrar baixinho se ele voltar. Depois, assim, num dia igual a tantos outros, tudo mudou.

Um ano sem um único sinal do meu gato. Demos voltas por Lisboa inteira. Pusemos cartazes nos cafés, fomos aos abrigos de animais, até aos grupos do Facebook. O telefone não parava. Aos poucos, fui-me habituando ao silêncio que ficou lá em casa, aquele espaço vazio no sofá, os passos que já não se ouviam.

A esperança, sabes, não se apaga de repente. Só vai perdendo força. Ir de quando ele vier a talvez nunca mais volte custou O coração aprende a aceitar, mas não esquece.

Até que, num fim de tarde como outro qualquer, aconteceu uma coisa doida.

Íamos de bicicleta no jardim, sem pensar em absolutamente nada disto, e de repente vejo um gato atravessar o caminho. Havia alguma coisa naquele andar não sei explicar o coração disparou. Instintivamente, gritei: Gaspar!

Ele parou.

Olhou para trás.

O som que fez, rouco, profundo, era puro reconhecimento. Senti uma onda de emoção a invadir-me.

Correu para mim, Rita! Larguei a bicicleta no chão e ajoelhei-me. Ele saltou para o meu colo, agarrou-se à minha blusa como se tivesse medo de desaparecer outra vez. Enterrou a cabeça no meu peito e ficou a ronronar, a tremer todo. Juro, parecia que nunca tínhamos estado separados.

Aquele ano longe não mexeu em nada, pelo menos para ele.

Há laços que o tempo não parte. Eles ficam, só à espera, no silêncio. E quando o amor encontra o caminho de volta, não tem dúvidas de onde é a casa.

Se tu também acreditas que quando é verdadeiro nunca se perde, diz-me qualquer coisa. Partilha isto com os teus amigos alguém pode precisar deste bocadinho de esperança.

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A esperança não desapareceu de repente. Passou-se um ano inteiro sem qualquer notícia dele… Procurámo-lo por todo o lado. Colámos cartazes, ligámos para abrigos, telefonámos sem parar. Deixámos de dizer «quando ele voltar». E então, num dia como qualquer outro, aconteceu…