Três anos à procura de um milagre…

Três anos em busca de um milagre

Às vezes, a vida afasta as pessoas de tal forma que parece não haver mais caminho de regresso. Mas e se aquilo que te faz seguir em frente seja apenas uma promessa feita há muitos anos atrás?

Hoje quero partilhar convosco uma história que aperta o coração. Imagina: uma paisagem árida, sob o sol escaldante do Alentejo, terra seca e poeirenta, e uma antiga casa semidestruída perdida no fim do mundo. E um homem disposto a dar tudo para recuperar o que perdeu.

**Uma cena impossível de esquecer:**

O homem, de fato caro mas coberto de pó, avançava devagar pelo chão rachado pela seca. Cada passo era uma luta, respirava com dificuldade. À sua frente, junto à casa quase em ruínas, estavam dois rapazes sujos, assustados, com olhares de quem já conheceu demasiado da vida.

Ele parou. Ajoelhou-se para ficar ao nível dos meninos e fitou-os diretamente nos olhos.

** Lembram-se de mim? Já passaram três anos,** murmurou, a voz presa na garganta.

O mais velho olhou-o com um olhar vazio, até que de repente um lampejo de reconhecimento cruzou-lhe o rosto. O lábio tremeu.

** Tio Manuel?** sussurrou, quase sem voz.

O homem assentiu, e apesar de tentar manter a compostura, lágrimas correram-lhe pelo rosto. Abriu os braços o mais que pôde.

** Eu prometi que vos encontrava. Venham cá.**

Nesse instante, o rapaz mais velho lançou-se para ele, desatando a chorar no ombro do pai. O homem apertou-o com tanta força que parecia que temia que tudo aquilo desaparecesse de repente. Fechou os olhos, esmagado pelo alívio.

**O desfecho da história:**

De repente, abriu os olhos. O seu olhar, carregado de amor e sofrimento, pousou sobre o filho mais novo. O menino, que ainda era um bebé três anos antes, ficava de parte, hesitante. Não reconhecia aquele rosto, mas parecia sentir um calor familiar no peito.

O homem estendeu-lhe a mão.

** Não tenhas medo, pequenino,** murmurou suavemente. ** Desta vez não vos largo. Vamos para casa.**

O menino, devagar, tocou na mão do pai com os seus dedos pequeninos e, de repente, como se reconhecesse o cheiro ou o tom da voz, desatou a correr. Meteu-se entre o irmão e o pai, escondendo a cara no casaco poeirento daquele homem.

Ali, no meio da vastidão do Alentejo, onde só o vento e a terra rachada testemunharam, a família voltava a ser uma só. Ele cumpriu a promessa. Encontrou-os.

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