Ela achava que ele era pobre, mas a verdade deixou-a boquiaberta!
Nunca julgues um livro pela capa… ou uma pessoa pela roupa. Esta história passada num concessionário de luxo algures em Lisboa é prova disso e vai, de certeza, fazer-te pensar duas vezes antes de abrir a boca.
No meio do reluzente showroom cheio de carrões, está um homem. Traja um hoodie cinzento, bem banal, e uns jeans já mais vistos que pão com chouriço na festa da aldeia. Ele está ali, encostado casualmente a um descapotável de sonho, a estudar cada curva do carro como quem analisa um pastel de nata na montra.
De repente, uma gestora apressa-se na sua direcção. Chama-se Margarida, e o seu fato engomado tem inevitavelmente mais vincos que a cara do presidente da junta. No rosto, brilha uma expressão entre desdém e quem acabou de cheirar queijo da Serra que estava fora do prazo.
Ela pára a um passo dele, suspira como se lhe tivessem pedido para trabalhar à segunda-feira e, com um dedo apontado para a rua, atira:
A paragem de autocarro é naquela direção, querido. Importa-se de não encostar tanto ao carro? É que há coisas nesta vida que nem sonhar consegue pagar para ver.
O homem não mexe uma unha. Olha para o pulso, confere as horas com calma olímpica. E nesse instante, ouvem-se passos apressados. A porta do escritório abre-se num estrondo digno de novela da SIC. De lá sai o diretor-geral, o senhor António Torres, cabelo engomado no estilo “levei com o vento no Guincho”, gravata desalinhada, ar mais nervoso do que alguém que perdeu o último EuroMilhões.
O António passa pela Margarida sem um olhar se ela fosse invisível, o efeito era o mesmo e pára defronte do homem do hoodie. Faz uma vénia digna de cerimónia com o Presidente da República:
Bem-vindo, doutor! Peço imensa desculpa pelo atraso, não estávamos de todo à espera que o proprietário de toda a franquia chegasse tão cedo!
A Margarida ficou branca como se tivesse visto a conta de luz. O ar superior derreteu-se-lhe no rosto, que agora mais parecia gelado de morango esquecido ao sol. O homem do hoodie virou-se devagar para ela. Não há raiva no olhar dele só um desapontamento gélido, de quem viu o Benfica falhar um penálti.
Chega-se junto dela e murmura, sem levantar a voz:
Sabe, vim aqui para assinar pessoalmente o seu aumento. Mas o seu respeito pelos outros acabou de me facilitar a decisão.
Ela engole em seco, tenta balbuciar qualquer coisa mas as palavras ficam presas que nem pastéis de bacalhau na garganta.
Final:
O homem olha para o senhor António e diz, mais seco do que um gin tónico sem gelo:
Não preciso de pessoas na empresa que avaliam os outros pelo saldo bancário. Faça o favor de a despedir hoje. E trate do novo carro para mim levo-o comigo já.
Ele tira do bolso do hoodie um cartão de plástico perfeitamente banal, mas que surpresa das surpresas! é um exclusivo black ilimitado, daqueles que até dá para pagar um lanche da seleção. Passa-o ao diretor, enquanto a Margarida ali ficou, pregada ao chão, sem palavras nem carreira, tudo porque achou que os hoodies eram só para malta dos autocarros e não mereciam respeito.
Moral da história: O dinheiro até compra um carro topo de gama, mas boa educação não se encontra à venda na FNAC. Respeita toda a gente nunca sabes quem te pode dar boleia para o sucesso… ou o bilhete de saída.







