A amante do meu marido, aos 43 anos, não sabia que eu era a dona da luxuosa quinta onde me humilhou — por isso, quando exigiu “atendimento VIP”, dei-lhe um serviço inesquecível.

O meu nome é Amália Simões.

Para o meu marido, Ricardo Simões, eu sempre fui apenas uma mulher comum. Discreta, de confiança, sem grandes extravagâncias. Daquelas esposas que acabam por ser vistas como garantidas e vão-se tornando invisíveis.

O que ele nunca soube: muito antes de casarmos, já eu era a única proprietária da Quinta das Águas Azuis, um complexo hoteleiro de luxo na Costa da Caparica, a poucos quilómetros de Lisboa. Uma herança da minha avó, que escolhi sempre manter em segredo.

Só queria ser amada por quem sou, e não pelo que possuo.

A realidade, porém, acordou-me de forma brutal.

Numa sexta-feira de manhã, Ricardo disse-me que tinha uma deslocação de trabalho.

Um seminário com a direção, nada de interessante.

Na verdade, ele tinha reservado um fim de semana de luxo com a amante, Mariana Lobo no meu próprio hotel.

Eis o sarcasmo cruel: nesse dia, calhou eu mesma estar na propriedade, numa visita inesperada. Gosto de passar de surpresa pelo local, vestida simples uns calções de linho, t-shirt clara, sandálias rasas.

Foi aí que os vi.

Ricardo e Mariana de mãos dadas, relaxados e demasiado próximos.

Mariana usava um fato de banho caro, uns enormes óculos de sol e aquela ousadia de quem acha que o mundo é seu.

Este espaço é maravilhoso, sussurrou. Tens a certeza que podemos pagar isto?

Ricardo sorriu.
Claro, utilizei o cartão da Amália. Ela nunca confirma nada. Confiar demais é o problema dela.

Um calafrio apoderou-se de mim.

Ele financiava a amante descaradamente com o meu próprio cartão, no meu hotel.

Foram até à receção. Ao passarem por mim junto aos jardins, Mariana olhou-me de alto a baixo com desprezo.

Desculpe! atirou ela, áspera. Trate da minha mala, está pesada.

Fiquei parada. O sorriso dela ficou tenso.
Está surda? Ricardo, olha bem para esta empregada

Ricardo virou-se.

Empalideceu imediatamente. Ficou sem fala mas o choque verdadeiro ainda estava por vir.

Amália?

Mariana franziu o sobrolho.
Conheces?

Sorri calmamente.
Olá, Ricardo. Então e o seminário, correu bem?

O que estás aqui a fazer? gaguejou ele. Seguiste-me?

Mariana riu-se.
Espera és a esposa dele? Agora percebo porque precisavas de mudanças. Até parece que ela trabalha aqui.

Depois, dirigiu-se à receção.
Quero que a despeçam. Está a estragar a minha estadia. E exijo a melhor suite. Imediatamente.

A rececionista olhou para mim, atrapalhada. Fiz apenas um leve aceno.
Com certeza, senhora. Por favor, siga-nos até à zona VIP.

Mariana sorriu, vitoriosa. Dois seguranças acompanharam-nos, eu vinha um pouco atrás.

Logo Mariana torceu o nariz.
Para onde nos estão a levar? Isto não é o caminho.

Passámos pela zona de serviço, pela saída dos funcionários e pelo estacionamento do pessoal. Ela parou brusca.
Isto é alguma piada?

Chegou ao destino.

Como assim?! Chamem a diretora!

A diretora-geral apareceu. Fato escuro, postura irrepreensível. Observou, depois dirigiu-se a mim.
Boa tarde, Dra. Simões. A Dra. Simões é a proprietária da Quinta das Águas Azuis. Todas as despesas relacionadas com o Sr. Simões foram automaticamente finalizadas.

Mariana ficou pálida. Tirei os óculos de sol.
Mariana, eu não trabalho aqui. Sou a dona deste espaço.

Virei-me para Ricardo.
Ingenuidade é trairem a mulher com o dinheiro dela num hotel que é dela.

Ele desfaleceu.
Amália, por favor
Não.

Virei-me para os seguranças.
Podem acompanhá-los à saída. Ficam banidos de forma permanente.

Nessa noite, com um copo de vinho nas mãos e o Atlântico à minha frente, vi o pôr do sol. Sozinho, mas livre. Semanas depois, organizei uma gala para lançar Águas Azuis Mulheres, um programa dedicado às mulheres que querem reescrever a própria vida.

Não foi uma traição. Foi um despertar. Perder o homem errado às vezes, é o único modo de voltar a ocupar o nosso verdadeiro lugar no mundo.

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A amante do meu marido, aos 43 anos, não sabia que eu era a dona da luxuosa quinta onde me humilhou — por isso, quando exigiu “atendimento VIP”, dei-lhe um serviço inesquecível.