Oi, amiga, dá uma escutada
Fui acordada bem no meio da noite e percebi que ao meu lado não tinha nada, só aquele vazio que dói. Ainda meio perdida, estendi a mão, na esperança de sentir o calor familiar do meu marido, o Tiago.
Mas o sono não voltava e ele parecia não se mexer há uns quinze minutos. O coração começou a bater rápido, e eu sentei na beira da cama, encarando a escuridão do quarto. E se fosse algo? E se ele tivesse ficado doente?
Fiquei tentando me tranquilizar, pensando que talvez o Tiago só estivesse acordado por causa de alguma pendência de trabalho, mas a inquietação não me largava.
Sem ficar só na preocupação, levantei devagar da cama, abri a porta do quarto bem baixinho e fui, de puntinha, até a cozinha. Cheguei a poucos passos quando, de repente, parei.
Escutei a voz do Tiago. Ele falava ao telefone. O vivavoz estava tão alto que consegui entender até a outra pessoa na linha.
Sim, querida, já fiz a reserva das passagens para a Turquia disse ele, cheio de expectativa. Vamos viver momentos inesquecíveis. Ninguém vai descobrir.
Senti o chão sumir debaixo dos pés. Foi como se o meu mundo desabasse num instante. Cada palavra, cada frase, cortavam-me como facas afiadas.
Tantos anos juntos, tantos planos, alegrias e tristezas que dividimos lado a lado. Como ele pôde fazer isso?
Voltei para o quarto. Deitada na escuridão, as lágrimas corriam pelo meu rosto. O coração doía ao ponto de rasgar, e dentro de mim se misturavam raiva, mágoa e um amargo desapontamento.
Então, resolvi que não ia ficar parada. Levantei, fui até o guardaroupa e comecei a colocar as coisas do Tiago na mala.
Quando ele entrou no quarto, viu-me com a mala na mão e, surpreso, perguntou:
O que está a acontecer?
Olhei nos olhos dele, cheios de decepção e firmeza.
Estou a arrumar a tua mala respondi, calma. Para levares tudo contigo para a Turquia.
Do que estás a falar? ele riu nervosamente.
Não te faças de desentendido, Tiago. Ouvi a tua conversa na cozinha.
Ele ficou visivelmente nervoso, as mãos tremiam. Quis dizer alguma coisa, mas eu interrompi:
O resto das coisas tu arrumas tu mesmo. Agora pega a mala e vai para o hotel ou para onde quiseres. E depois da férias tua, não quero mais ver-te aqui.
Aquela noite mudou a minha vida de forma drástica.
Quando o Tiago saiu, deitei-me novamente na cama, sabendo que não voltaria a adormecer. Mas uma ideia não me largava: agora tudo será diferente. Não mais ilusões, não mais a dor de uma traição. Finalmente, sinto-me livre.
E tu, o que achas? Fiz a coisa certa ou devia ter ficado calada? Quero saber a tua opinião!
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