Ela rejeitou-o por causa da roupa, mas um minuto depois arrependeu-se amargamente!
Já todos ouvimos pelo menos uma vez aquele conhecido ditado português: Não julgues o livro pela capa. Mas o que acontece quando damos mais valor às aparências do que ao carácter ou aos sentimentos verdadeiros? O que testemunhei numa rua de Lisboa prova que o destino, por vezes, não espera para nos ensinar lições.
A ilusão do glamour e a frieza da realidade
Era uma sexta-feira amena, com o brilho das montras da Avenida da Liberdade a iluminar suavemente o passeio. Mesmo à porta de um boutique de luxo, estava um casal. A Leonor deslumbrava um vestido encarnado impecável, cabelo perfeito, maquilhagem digna de passadeira vermelha. Parecia saída de uma capa de revista.
Ao lado, o Tiago. Simples, uma camisola azul-escura já um pouco coçada, uns jeans vulgares. De repente, o Tiago ajoelhou-se, tirou do bolso uma caixinha de veludo e olhou para ela com ternura:
Leonor, amo-te mais do que tudo. Queres casar comigo? perguntou, com a voz a tremer de emoção.
Em vez das lágrimas ou do sorriso carregado de emoção, o rosto da Leonor encheu-se de desdém. Olhou para o anel, depois para a camisola gasta do Tiago, e deixou escapar um riso seco.
Estás a falar a sério, Tiago? exclamou alto, cruzando os braços. Olha para mim e olha para ti! Achas mesmo que uma rapariga como eu aceitaria o pedido de alguém que, vê-se bem, apanha o comboio para o trabalho? Essa tua camisola desculpa, mas até faz rir. Eu mereço melhor, não um homem que conta os cêntimos até ao fim do mês.
Ficou ali ajoelhado, calado, com a dor estampada no olhar. Mas a Leonor já se preparava para se afastar nos seus saltos altos, quando algo inesperado aconteceu.
Uma reviravolta inesperada
Com um som de travagem, um SUV preto topo de gama apareceu junto ao passeio. A porta traseira abriu-se de repente e um homem, num fato caro, saiu apressado, segurando um tablet.
Aproximou-se decisivamente do Tiago e da Leonor. Curvou-se levemente para o Tiago, ignorando completamente a atónita Leonor.
Doutor Tiago, peço desculpa incomodar disse com respeito. O Conselho de Administração já está reunido à sua espera para finalizar a assinatura da fusão das empresas. Precisamos de ir já.
Os olhos da Leonor quase saltaram das órbitas. Olhava do SUV para o assistente elegante e, incrédula, para o Tiago ainda de camisola gasta.
O Tiago levantou-se lentamente. Fechou a caixinha do anel com um estalo sonoro. Não levantou a voz, nem perdeu as estribeiras. Apenas lançou-lhe um olhar calmo, forte, silencioso.
O desfecho o preço das aparências
Tiago a voz da Leonor vacilou, o ar de superioridade desaparecera. Mas o que se passa? Que fusão?
Ele guardou o anel no bolso e respondeu, tranquilo:
Leonor, sempre acreditei que atrás de uma cara bonita devia estar um coração bonito. Nunca te falei do meu dinheiro, nem do meu cargo. Andei sempre com esta camisola de propósito. Queria encontrar alguém que gostasse de mim não do dinheiro, do carro ou do cartão multibanco.
A Leonor empalideceu, percebendo o erro colossal. Estendeu-lhe a mão:
Tiago, espera! Eu não só fiquei nervosa com o pedido, não estava preparada
O Tiago afastou-a, delicada mas firmemente.
Obrigado, Leonor. Obrigado por teres mostrado quem realmente és, antes do casamento. Tens razão numa coisa: somos mesmo de mundos diferentes. Mereces alguém para quem a etiqueta da roupa é mais importante que o coração. Adeus.
Virou-se, entrou no SUV preto, cujo assistente fechou a porta atrás dele. Num instante, o carro fundiu-se com a noite lisboeta.
A Leonor ficou parada no passeio frio, completamente sozinha. O vestido encarnado deixara de brilhar. Ali percebeu que tinha acabado de afastar não só o homem dos seus sonhos, mas alguém que realmente a amava.
O que aprendi com isto:
* O verdadeiro valor não está no dinheiro: Fortuna e estatuto podem desaparecer num instante, mas a bondade e o amor verdadeiro são o que fica.
* Aparências iludem: Jamais julgues alguém só pelas roupas ou pelo carro. As pessoas realmente ricas por dentro, e por vezes por fora gostam de ser discretas.
* O materialismo destrói a felicidade: Se o mais importante no outro é o saldo da conta, vais acabar sozinha, a perder o que te poderia fazer verdadeiramente feliz.
Nunca vou esquecer esta noite. Senti-me grato por saber ver além das aparências. Que nunca deixemos que a vaidade nos impeça de reconhecer o verdadeiro valor das pessoas.
