A Felicidade Complicada

Felicidade complicada

Como assim, estamos a separar-nos? Diogo, estás a gozar?

Mafalda olhava para o marido incrédula. Separar-se? Eles estavam juntos há quase vinte e cinco anos! Daqui a duas semanas deviam estar a celebrar… ou já não vão celebrar? Os pensamentos misturavam-se. E o jantar, os convidados? Os convites já foram todos enviados… Toda a família vem. Os amigos não pararam de ligar, a perguntar o que hão-de trazer… E a Joana, a melhor amiga, até já mandou o presente. É pena que não venha. Vive longe e como está grávida de seis meses, não se vai meter num avião. Que fique ela em casa, que depois se veem e celebram de novo. A Joana foi fundamental para Mafalda ter conhecido o Diogo. Foi ela quem fez a apresentação e depois, no casamento, foi quem puxou mais alto o famoso “Ginja!”, enquanto se escondia atrás do ramo de noiva, que Mafalda nem lançou entregou-o nas mãos da amiga.

Não percebo porque é que o teu Rui anda a adiar… Vai deixá-la escapar!

Onde é que ele vai arranjar melhor? ria a Joana enquanto ajeitava o cabelo da Mafalda. Tudo tem o seu tempo, Mafalda. Se não está pronto, para quê precipitar? Para depois se arrepender e divorciar-se ao fim de dois anos? E depois aquilo tudo dividir casa, miúdos, família, e nessa altura já estão todos doidos comigo porque me vão adorar? Nem pensar! Prefiro esperar que amadureça. Planeias tanto para daqui a dois anos! Mafalda soltava gargalhadas quando via a amiga retocar a maquilhagem com ar zangado.

Eu não sei fazer nada pela metade. É sempre a fundo.

E filhos, Joana? Logo dois, ou só um?

Dois! Quero gémeos! É despachar logo! Tenho boas hipóteses, na minha família e na do Rui há muitos gémeos. Depois ainda vais ter que os educar…

Dois é mais fácil que um.

Ó Mafalda, não é mais fácil! A Mafalda ria, mas sem duvidar que a Joana conseguia tudo o que queria.

E foi mesmo assim. Mas o destino ainda era mais brincalhão do que a Joana e, em vez de gémeos, ela teve trigémeos. Parece que a vida decidiu testar a Joana, mas ela saiu-se lindamente. Nessa altura, os sogros e até o pai dela já lhe reconheciam o mérito. A Joana nunca foi de ser submissa dava-se com todos, ajudava sempre que fosse preciso. Normalmente, ajudava organizando à sua maneira a rotina do Rui, que nunca foi de se pôr a fazer favores a ninguém sem um empurrãozinho.

Um dia, Mafalda, quando formos nós a precisar, como é? Vão-nos mostrar o dedo? Esquece lá isso! Queres batatas com cogumelos, Rui? Vai a casa da tua mãe ver do armário novo. Demoras duas horas, ela fica contente, e diz que eu no próximo fim de semana vou lá limpar as janelas.

E quando Joana precisou de ajuda, tinha duas avós e um avô. O pai já tinha falecido, mas os sogros estavam sempre disponíveis para dar a mão aos netos. Assim foi Joana cria os miúdos, que nasceram com pouco peso, e depois de um tempo, decidiu ir para a faculdade.

Joana, estás doida? Mafalda nem tinha palavras.

Quem vai pôr negativa a uma mãe de trigémeos? E assim não fico a atrofiar em casa. Quando acabar, sou economista e advogada, tudo em um! Olha que não é nada mau.

A Joana tirou o curso e arranjou trabalho logo. Convenceu o patrão que o ordenado já dava para pagar a uma ama.

Joana, não ficas a contar os trocos?

Até agora as avós dão conta do recado, mas se o patrão pensa que preciso de ama, melhor. E, Mafalda, preciso é de experiência, porque só o canudo não chega. Fico uns tempos assim, depois logo escolho.

A Mafalda via tudo isto e ficava a pensar: como é possível uma mulher conseguir fazer tudo? Ela sempre teve dificuldade em decidir, mesmo em miúda. Até para ir ao jardim de infância hesitava entre as meias vermelhas ou azuis.

Mas tu, Mafalda, quando decides, é mesmo para ficar. Não andas aí aos ziguezagues como eu! Joana consolava a amiga Tu és conservadora, e essas são as pessoas mais seguras do mundo.

Segura! Pois sim! O Diogo agora mostrou bem o que pensa disso. Porquê, afinal? Tinham uma vida boa! Pronto, não terem filhos tornou as coisas complicadas, mas já tinham aceite isso há muito. Mafalda até costumava fazer voluntariado em casas de acolhimento, mas percebeu que não conseguia adotar uma criança. Não era falta de força ou condições, era medo de não ser capaz de ser uma verdadeira mãe. De amar como devia. Nem sabia bem o que era “como devia”, mas sentia que era preciso mais do que vontade.

Só ainda não encontraste a tua criança. dizia Dona Lucinda, a diretora de uma das casas onde a empresa onde Mafalda trabalhava ajudava. Quando a vires, não vais conseguir resistir. Nenhum problema nem dificuldade te vai impedir.

E se não encontro? E se não é o meu destino ser mãe?

Então não é. Lucinda disse serenamente. É melhor assim do que pôr-te a ti e a uma criança numa situação pior. Já vi tantas histórias tristes… Vês o Tiaguinho ali? Já foi devolvido duas vezes.

Como é possível? Ele é tão pequeno… tem cinco anos?

Faz seis em breve. Viveu dois anos numa família, um na outra. A primeira, porque tiveram um filho biológico; acontece muito mais vezes do que se pensa. A segunda família quis acolher mais do que podia. Tinham dois filhos, ficaram com mais três. Para o Tiago não sobrou amor.

Isso é tão triste… suspirava Mafalda.

Pediu para voltar. Disse que não gostavam dele, recusou-se a comer, até a beber. Pediu para ser devolvido porque “não gostavam dele”. O psicólogo não conseguiu mudar isso. Voltou. E eu não sei se algum dia vai acreditar em alguém, Mafalda…

Ficou tão abalada que pensou seriamente em avançar com a adoção, mas as palavras da Joana ecoaram:

Tens a certeza? Mafalda… pensa bem. Se é só pena, desiste já. Vais acabar como os outros, que o fizeram sofrer. Queres mesmo isso para ti? Ou para ele? Queres vir tomar conta de um dos meus, a ver se gostas da experiência?

Mafalda recusou, deixou de ir aos lares, continuou a ajudar à distância, mas nunca esqueceu o Tiago. Tornou-se um farol viver sem magoar ninguém.

Abracei-me, tremia de frio. Porquê tanto frio? Ainda estamos no outono, já há aquecimento… O que faço agora? Ajudar o Diogo a fazer as malas? Quais? As de inverno também? Aqui o tempo muda rápido… O verão é curto, logo está frio… Nada como no Algarve da minha mãe. Nunca soube o que era frio. Invernos de casaco de cabedal fininho, só vestia coisa quentinha se ia à Serra… Agora apetecia-me mais do que tudo ir para casa. Ficar uns dias só eu e a minha mãe nas serras. Mas ela já cá não estava. E o Diogo agora também não…

Não quero liberdade nenhuma! Quero o meu marido ao lado. Como antes, café de manhã e a meio da noite. Conversas até tarde, sem razão, só porque sim. Saídas para o teatro decididas em cima da hora. Nunca fomos de planear. Os melhores dias eram assim, espontâneos. Às vezes ligava-me:

Mafalda, que fazes?

Uma confusão dois candidatos e depois tenho de ir ao banco.

Esquece isso, anda daí. Dá uma volta.

E eu largava tudo, em menos de uma hora já estávamos a passear, calados ou a dizer disparates, e era ótimo…

Agora, isso tinha ficado no passado. No meu passado. Vou guardar tudo em mim, ele não. Ele tem o futuro à espera, com aquela nova, que está grávida… É por causa disso? Ou o nosso casamento sempre foi uma mentira? A primeira hipótese ainda a aceitava. Mas a segunda… Não! Senão pareço ninguém, menos que mulher, se em vinte e cinco anos não consegui fazer um homem feliz.

Fiquei junto à janela da cozinha, com as pernas encostadas ao radiador, a tentar mexer-me. Ouvia o Diogo a andar pelo apartamento, gavetas, portas… Tremia tanto que até o vaso com a planta que a Joana me deu quase caía do parapeito. Quando, finalmente, bateu a porta, larguei as mãos do peitoril, bati com o vaso no chão e gritei.

Não aliviou. A terra preta misturada com cacos trouxe-me à realidade. Tudo negro, sem luz, porque a luz tinha acabado de sair de casa. Agora tinha de caminhar às escuras, sem referências, exceto uma…

Afastei-me do aquecedor, pisei os cacos, nem senti o corte no pé, cheguei ao quarto, peguei no telemóvel.

Joooana…

Aquilo nem era choro já. Algo parecido com um uivo de dor. A Joana nem precisava de perguntar.

O Diogo foi embora?

Sim…

Está bem. Amanhã estou em tua casa.

Estás maluca! Não venhas. Não quero! Não me vou perdoar se te acontece alguma coisa ou ao bebé… Pera aí… Tu já sabias?

Desconfiava. Da última vez que cá vieram, ele não me olhava nos olhos. Agora percebo… Mafalda, acredita, é o melhor!

O melhor?! Para quê? Perdi tudo! Ficou tudo para trás… O que faço agora?

Compra um vestido.

O quê?

O que ouviste. Compra já aquele vestido que achaste caro. Vai já, compra, depois mostras-me. Não fiques em casa a deprimir! Compra, e depois apanha o comboio ou o avião. Nós vamos à serra.

Mas tu vais ter bebé!

E depois? Achas que sou inválida? Não vamos acampar, ficamos num hotel, damos uns passeios à volta. Respiramos. Preciso disto tanto como tu. O Frederico tem provas para a semana, a Mariana e a Carla estão em atividades em Coimbra. Temos de aproveitar agora. Por isso vê se despachas. Daqui a meia hora quero mensagem com o teu voo. Não me faças ficar nervosa.

Joana desligou. Fiquei a olhar para o telemóvel. E agora?

Respirei fundo, fui ao espelho. Ali estava eu. Anos todos à mostra. Não era miúda, mas também não estava acabada. Nada disso. A juventude tinha ido, mas não é razão para desistir. O Diogo enganou-se se pensa que vou ficar num canto a chorar. A Joana tem razão, muita razão.

Arranjei o cabelo, enxuguei as lágrimas e endireitei-me. Não posso parar agora. Agendei cancelar todos os compromissos do trabalho, dois telefonemas para anular o restaurante e afins, pronto! Só me faltava varrer a cozinha!

Peguei no velho vassourão e tratei do chão. Comprar um vaso novo, isso ficava para depois.

O vestido? Assentava na perfeição. Vermelho, brilhante, tão diferente do que eu usava ultimamente. Sempre de tons discretos, deixando a Joana com as cores mais ousadas. Ela sabia aparecer, eu nunca tive essa arte. Mas naquele momento, apeteceu-me ser outra pessoa e, por que não? Será que não chamava a atenção de ninguém?

O espelho já mostrava outra Mafalda, cansada, triste, mas não destruída. Ainda havia ali qualquer coisa. Talvez entendesse porque é que o Diogo foi embora. Trair um amigo custa muito mais, sim… Ai, Diogo, porquê?

A viagem correu bem, mesmo com uma escala pelo meio. Foi bom, obrigou-me a pensar em novas coisas.

Na serra, eu e a Joana andámos por todos os trilhos perto do hotel onde ficámos. Cala, fala, risos, discussões, tudo misturado. Senti-me aliviada aos poucos, a Joana dava-me sempre outra perspetiva das coisas, aquelas suas maneiras de ver o mundo que faziam parecer tudo mais fácil.

Volta para cá, Mafalda. Para quê ficares sozinha em Lisboa? Abertura para lares de crianças e centros não falta. O teu pai também anda a precisar de ajuda. Assim já não tens de mudar nada. Ficas tu, ele, compras um apartamento ao lado, vives tranquila. Pensa nisso.

Com o tempo, decidi era o melhor. Separei-me, vendi a casa, o carro, tratei dos documentos do negócio ao qual tanto dei. Tentei, sempre, separar o que era emoção e o que era prático. Falei com o Diogo duas vezes, aguentei-me, depois apaguei o contacto dele do telefone. Obriguei-me a seguir em frente.

O Algarve recebeu-me com uma primavera cheia de flores de laranjeira e luz. Dava para respirar. Não fui viver com o pai, comprei casa mesmo ao lado. Ele, entretanto, tinha uma companhia: a Dona Teresa, uma senhora simpática que me sorriu com tanto calor que percebi logo que era melhor cada um na sua casa. Eu só podia estar contente: também o meu pai merecia voltar a ser feliz.

O teu pai ainda está em forma, Mafaldinha. dizia a Dona Teresa com doçura e, ali estava, o tal amor. Uns têm-no fácil, outros nunca o chegam a ter. Se ele encontrou a felicidade na reta final da vida, talvez eu também tivesse direito mesmo não a conseguir ver.

O tempo passou num instante. Abri dois centros educativos num bairro novo, tinha trabalho até dizer chega. Mudei-me por completo: cabelo, roupas, e até adotei um cão, coisa que queria há tanto. Mas há noites em que a saudade aparece. Sinto falta do Diogo do café quente, de uma palavra simples. Sei que preciso de seguir em frente, mas parece impossível cortar essa ligação.

Até que um problema com as Finanças ligados à venda do negócio me obrigou a ir a Lisboa resolver cara a cara. Foi bom, mexi-me, fiz algo novo.

Resolvi tudo num dia. Sobrou-me mais um antes do voo. Passei pelo bairro onde vivi, fui ao antigo centro (um fechou, o outro florescia). Fiquei a ver as crianças por trás do vidro, entretidas a pintar, todas animadas. O professor mais novo explorava o urso, eles gritavam de alegria. Gente feliz, pensei. Isso é o mais importante.

Depois fui até ao parque. Lá estava a antiga casa, a praceta onde sempre sonhei trazer os meus filhos, o jardim das caminhadas de domingo… Dei por mim a entrar, meio sem pensar. O caminho convidou-me e lá fui, a ver os bancos novos, a reparar no chafariz restaurado.

Vi um homem sentado num banco a marcar o carrinho com balanços. Parece-me familiar… Mais uns passos e percebi. Era o Diogo. Primeiro, nem o reconheci. Estava mais branco dos cabelos, mais pequeno, encolhido na dor.

Aproximei-me. Não podia deixar que definhasse como estava.

Diogo…

Ele estremeceu, baixou ainda mais a cabeça.

Mafalda…

Sentei-me ao lado dele.

Como é?

Pergunta completamente parva, quase me levantei, mas ele pousou os olhos em mim.

Mal. Está tudo mal, Mafalda…

Porquê?

Porque estou sozinho. Perdi tudo, por uma estupidez qualquer. Perdi o que de bom tinha.

Estás enganado. Eu sentia que trocava tudo para não ter vivido estes anos que nos separaram. Olha o que tens: a tua filha… É menina?

É, a Eva.

E a tua nova mulher, não é tudo o que querias?

Não há mulher nenhuma, Mafalda. A Mila morreu. O parto foi complicado.

Custou-me respirar. Não me apetecia odiar aquela rapariga. Tinha pena dela da jovem que, num jantar, aproveitou o momento. O Diogo quase não bebia, naquele dia aconteceu, e ali estava o resultado. A pequena Eva, a dormir tranquila no carrinho.

Ficámos calados, durante muito tempo. Quando finalmente falámos outra vez, as palavras eram tantas que a Eva já acordava e via as luzes do parque e as estrelas a aparecer.

Levantei-me para a ver e fiquei a olhar, emocionada.

“Quando conheceres a tua criança, vais entender tudo, Mafalda!” ecoou a voz da Dona Lucinda.

Meio ano depois, estava sentada no gabinete da Dona Lucinda à espera. Entra um rapazinho de cabelo preto e olhos sérios.

Tiago, sabes porque é que vim?

Para me levares.

E queres vir comigo?

Não sei. Acho que não vais querer.

Olhou para mim, cada vez menos interessado, só uma faísca surge quando perguntei se queria. Depois apaga-se, mas volta quando retiro fotografias.

Este é o teu marido?

Sim.

E esta menina?

Não, Tiago. Não é minha filha.

A faísca voltou. Não deixei apagar.

Não é minha filha, mas vou ser mãe dela. E tua, se tu quiseres.

Vais devolver-me.

Porquê?

Toda a gente devolve.

Eu não sou toda a gente, sabes porquê?

Não…

Porque sei o que é perder tudo. Quando não resta ninguém ao teu lado Dói muito.

Eu sei…

Sabes o que é uma mãe, Tiago?

Não…

É aquela que nunca deixa que a dor chegue ao filho.

Tens pena de mim?

Não. Não quero ter pena, quero amar-te. Quero que sejas feliz. E quero que a Eva tenha um irmão mais velho forte, corajoso, que não a vai deixar magoar. Achas que vamos conseguir?

O Tiago queda-se a olhar-me nos olhos. Devia achar-me bonita, via-se pela expressão, mas percebia que eu também sabia o que era tristeza. Tão vermelho o meu vestido, que ele, tímido, toca no tecido, para ver se é de verdade.

Gostas?

Muito.

Também eu. Comprei-o quando estava muito em baixo. Sabes que ficou tudo mais leve?

Eu também gosto. Quero tentar.

Não, Tiaguinho. Não é tentar. É fazer. Porque é assim que tem de ser. E não te largo, mas tu também tens de me ajudar, porque ainda não sei se sei ser mãe. Quero aprender. Para ti, para a Eva. Vais ajudar?

Acenou que sim. Senti que respirava finalmente.

Dois anos depois, pela Vereda da Serra, ia uma família em fila indiana. O rapaz, de cabelo negro e magro, tomava conta da traquinas, a Eva, sempre a fugir.

Eva, ali na mata há lobos!

Nãaa!

Há sim! E ursos, grandes, com muita fome!

A mãe deles não lhes deu papa?

Não, não sabe fazer papa.

A nossa sabe.

Pois!

Então que a mãe faça papa para os ursos, assim já não têm fome…

Mamã, diz a Eva que temos de dar papa aos ursos…

De sêmola? deitei-me a rir, tentando apanhar o passo da Eva.

Mãe! Tu não sabes fazer sêmola. Eles não gostam dos grumos!

Tu é que não gostas, espertalhona! Os ursos agradeciam, mesmo com grumos!

Dá-lhes a minha amanhã! E o mel que compraste ontem!

Qual quê, gosto demasiado de mel para isso. Vais ficar ao meu colo ou queres ir ao colo do pai?

Ao colo!

Então, anda! Pus a Eva nos braços do Diogo e despenteei o Tiago. E tu, Tiago, queres mesmo dar papa aos ursos?

Mãe, não quero voltar já para casa. Ainda há tanto para vermos. E se a Eva começa a dar de comer aos bichos locais, nem do hotel saímos. Talvez os deixemos com fome…

Ri-me alto e olhei para trás.

Eva, depois damos papa aos ursos, está bem? Eu aprendo a fazer sem grumos.

Está bem! aceitou logo. Olhei para o Tiago, que fez olhos arregalados.

Ó filha! fiz-lhe uma careta cúmplice.

Ó mãe! riu-se.

Mantém de olho nela! Senão, ainda trazemos um urso, um lince ou sabe-se lá de volta para casa… A Eva não deixa ninguém perdido.

E a nossa gargalhada soou pela encosta, ecoando. O dia prometia ser claro e a felicidade, seja fácil ou complicada, anda sempre por aí, à nossa espera.

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

A Felicidade Complicada