E agora ele vai morar conosco?” perguntou ele à esposa, olhando para o filho.

“Então ele vai morar conosco agora?” – perguntou ele à esposa, olhando para o filho.

Vera Almeida chegou em casa e ficou muito surpresa ao ver o filho. O Diogo já vivia com a esposa há dois anos, afastado deles, e se viam no máximo uma ou duas vezes ao mês, e isso apenas nos fins de semana. E ali estava ele em plena semana de trabalho.
“Aconteceu alguma coisa?” – perguntou Vera sem rodeios.
“Por que, não está feliz em me ver?” – tentou brincar Diogo, mas vendo o olhar sério da mãe, respondeu: “Deixei a Lúcia.”
“O que quer dizer com ‘deixou’?” – perguntou ela séria.
De caráter firme, não era chegada a brincadeiras. O trabalho certamente deixava marcas, afinal, ela trabalhava numa instituição para menores infratores.
“Bem… discutimos,” murmurou Diogo, tentando mostrar que não queria falar sobre o assunto.
“E daí?” – ela o encarou nos olhos: “Vai correr para cá a cada briga com a sua mulher?”
“Estamos nos divorciando!” – disparou Diogo.
Vera continuou a encará-lo, exigindo uma explicação. Suspirando, Diogo disse:
“Ela quer que eu ajude mais em casa. E chego do trabalho já cansado.”
“E você está com algo quebrado para não ajudar a sua esposa?” – não lhe deu apoio a mãe.
“E ela me disse o mesmo. Mas eu argumentei que a mulher é que cuida do lar e das tarefas domésticas.”
“E onde você ouviu essa baboseira?” – perguntou a mãe, perdendo a paciência.
Cansada do trabalho, ela queria apenas tomar um banho, descansar, jantar tranquilamente com o marido, e agora estava lidando com essas queixas. Além disso, ideias patriarcais e antiquadas! Ela cresceu com o marido, nunca ouvira isso dele. Trabalharam juntos, cuidaram da casa juntos, criaram os filhos juntos, sem dividir as tarefas. Mas agora, vejam só, apareceu o “HOMEM” da família!
“Estou te perguntando!” – gritou a mãe, tão alto que, se ele não fosse homem, teria se assustado – “Onde ouviu isso? Quer dividir as tarefas! E o que, se cansou de caçar o mamute? Vocês dois trabalham, são ambos provedores. Isso significa que devem cuidar das tarefas domésticas juntos. Ou a convidou para deixar o emprego e ficar apenas em casa? Não? Então para de frescura! Já te viu uma vez brigando com seu pai por tarefas domésticas? Não, porque nós temos bom senso para caminhar juntos no mesmo trilho.”
Nesse momento, o pai chegou do trabalho e, vendo o filho, perguntou surpreso:
“Aconteceu alguma coisa?”
“Até fazem as mesmas perguntas” – pensou Diogo, enquanto respondia em voz alta:
“Lúcia e eu estamos nos divorciando.”
“Grande ideia, estupor” – respondeu o pai, levando as sacolas de compras para a cozinha.
“Eduardo, nosso filho é um tolo” – disse Vera ao marido e contou-lhe a razão da discussão.
“E ele vai morar conosco agora?” – perguntou Eduardo à esposa, depois se virou para o filho:
“Sabe que a palavra ‘cônjuge’ significa quem caminha junto? E caminhar junto significa dividir igualmente as responsabilidades do lar. Se um começa a se esquivar do trabalho, o outro tem que puxar por dois. E assim termina: ou um morre de cansaço ou o casamento desmorona.”
Diogo ficou pensativo, mas o ressentimento contra a esposa ainda o consumia. Ele esperava apoio dos pais, mas, na verdade, eles tomaram partido contra ele. Os pais continuaram a conversar sobre Diogo, ignorando-o completamente. Eduardo retirava as compras do saco, enquanto Vera as guardava. Estavam demonstrando claramente que Diogo era um intruso na cena familiar e não iriam mimá-lo.
Diogo observava a felicidade familiar e não entendia como, duros na vida, eram tão gentis entre si.
“E o que está fazendo aí parado? Vá e faça as pazes com sua esposa!” – disse-lhe o pai severamente. “E tire essas ideias da cabeça sobre quem deve fazer o quê! Devem se cuidar e ajudar um ao outro – é isso que têm que fazer! Vá, temos nossos próprios afazeres.”
Diogo saiu da casa dos pais sem palavras, não era esse o acolhimento que imaginou. No entanto, a raiva contra Lúcia havia passado e ele percebeu que também teve culpa, criando uma briga por nada. Mas uma coisa era clara: queria construir uma família tão feliz quanto a de seus pais.

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

E agora ele vai morar conosco?” perguntou ele à esposa, olhando para o filho.