Após a visita ao veterinário, entendeu que precisava agir; viver como antes não era mais uma opção.

Depois de uma visita ao veterinário, Leonor percebeu que precisava tomar uma atitude – continuar como estava não seria possível. A gata ficou pensativa.

Leonor subiu no parapeito da janela, pediu um pires com água e uma gota de valeriana. Bebeu, deu uma pequena agitação e começou a refletir. Afinal, se não cuidar de si mesma, quem mais o faria?

Na clínica, Leonor ouviu uma conversa entre seus donos e a veterinária. Quando perguntaram quanto tempo vivem os gatos, a doutora respondeu que já tinha examinado gatos com quase 30 anos.

Claro que a resposta inquietou a gata – afinal, as pessoas não são eternas. Quem cuidaria de Leonor quando seus donos não estiverem mais lá? E preocupar-se era necessário… pois eles já não eram tão jovens, tinham 24 anos! O que estavam pensando quando a convidaram para morar com eles? Um verdadeiro absurdo.

Leonor espiou por detrás da cortina – as pessoas não estavam preocupadas com o futuro dela e seguiam com suas vidas. Tudo precisava ser feito por conta própria, antes que fosse tarde.

– Leonor! Vem comer! – Chamou a dona.

Leonor fingiu não ouvir e só apareceu na cozinha na décima oitava vez que foi chamada. “Vocês têm sorte de me ter”, expressava sua postura altiva.

Com o estômago cheio, os pensamentos fluíam melhor e a gata finalmente entendeu o que precisava fazer. Iria encorajar seus donos a terem filhos! Ela mesma criaria a próxima geração do seu séquito pessoal. Empregados, afinal!

À noite, Leonor ajeitou com suas patinhas as almofadas, deitou-se na cama e verificou se estava macia e confortável. Depois, retirou-se discretamente do quarto. Está bem, aguentaria algumas noites de desconforto – tudo pelo futuro promissor!

A gata começou a se lamber, mas parou espantada… O que foi que ouviu?

– Ah, amor, que tal não hoje? Estou com dor de cabeça.

Os olhos de Leonor brilharam. Como assim a dona podia se dar a esse luxo? Leonor criou um ambiente perfeito para esses dois e agora ESTA se esquivava!

A gata entrou na quarto como um turbilhão peludo e, pulando na cama, deu uma patada no ombro da moça.

– Levanta-te, fraca! Preciso de novos humanos, então trate de agir. Chega de pensar só em você! Senão, te expulso!!!

A moça riu. A Leonor zangada parecia tão fofa e engraçada que logo a acarinharam com quatro mãos. Tendo dado o empurrão necessário, a gata retirou-se discretamente.

Alguns meses depois, Leonor já não estava preocupada – ela conseguiu o que queria. Seu novo humano já reagia quando ela encostava a cabeça na barriga da “velha” dona. Agora não havia mais motivo para se preocupar com o futuro. Na verdade, Leonor planejava fazer os donos multiplicarem-se ainda mais umas quantas vezes.

E quando estes humanos fossem velhos e frágeis, a gata continuaria com eles. Nunca os abandonaria, porque eles eram ótimos!

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