Recompensa Surpreendente Faz Caminho de Volta para Casa Mais Alegre.

Beatriz caminhava para casa com um sorriso radiante no rosto, cumprimentando os transeuntes. Hoje, ela havia recebido um bônus generoso e, além disso, um surpreendente recesso de uma semana remunerada. Tudo isso por um projeto bastante complexo no qual ela vinha trabalhando nas últimas semanas.

As férias não eram muito longas, mas se ela organizasse tudo direitinho, poderia aproveitar para descansar, ler e mimar o marido com algumas delícias culinárias. Ele ficaria tão contente ao saber que Beatriz teria sete dias inteiros para se dedicar à família!

Ao chegar em casa, Beatriz fez uma pequena faxina e foi direto para a cozinha, pensando:
─ Vou fazer um caldo verde para o Tiago. Ele comentou sobre isso há pouco tempo.

Beatriz começou a cozinhar, cantarolando alegremente. Logo, a porta da frente bateu. Ela correu para encontrar o marido, deu-lhe um beijo na bochecha e recuou. Seus olhos brilhavam de felicidade.

─ Uau, que disposição! ─ exclamou Tiago. ─ E até conseguiu cozinhar? ─ perguntou ele, sentindo o aroma vindo da cozinha.

Normalmente, eles chegavam juntos do trabalho. Mas hoje, Beatriz havia chegado mais cedo e já tinha preparado tudo.

─ Consegui ─ afirmou Beatriz com um sorriso.

Ela estava ansiosa para contar ao marido sobre a generosidade do chefe, mas não teve tempo.

─ Te liberaram mais cedo? Algum problema? Ou é mais uma viagem de trabalho?

Tiago tinha um tom interrogativo, como se estivesse fazendo uma série de perguntas. Beatriz pensou que ele estava apenas cansado, por isso tentava puxar conversa:

─ Não, querido, está tudo bem. Na verdade, me demiti. Você sempre quis que eu ficasse em casa, cuidando do lar. Agora estou completamente livre!

Tiago ficou pálido, mas logo se recompôs:

─ Demitiu-se? Que bom. Pelo menos não vai mais se cansar. E temos dinheiro suficiente. Vou tomar um banho e comer depois.

Beatriz assentiu, confusa. A reação de Tiago lhe pareceu estranha.

─ Por que ele ficou tão tenso? Ele sempre dizia que a mulher deveria cuidar da casa, dos filhos, enquanto o homem seria o provedor.

Quando se casaram, Beatriz já trabalhava em uma conhecida empresa e logo foi promovida. Seu salário, que já não era baixo, dobrou. Tiago insistia que ela parasse de trabalhar, mas Beatriz não se via como uma dona de casa.

─ E o que vai fazer agora? ─ perguntou ele depois do jantar.

Beatriz o olhou atentamente. Não queria mentir, mas precisava entender a reação do marido ao seu “desemprego” e o que ele realmente queria.

─ Bem, o que eu faria? ─ sorriu Beatriz. ─ Você queria que eu me dedicásse à casa, e é o que vou fazer.

Tiago concordou com a cabeça e foi para o quarto, deitando-se na cama, pensativo. Ele tinha sugerido que Beatriz saísse do trabalho, especialmente quando ela se queixava do aumento de carga e do salário que não acompanhava. Ele só queria confortá-la, convencido de que ela jamais tomaria tal decisão.

Mas agora? Eles tinham sua própria casa, o carro estava quitado. O salário dela era muito superior. O orçamento familiar reduziria significativamente. Ele sonhava em comprar o último modelo de iPhone, uma consola de jogos e renovar o relógio de pulso.

─ Não vai conseguir ficar em casa ─ pensou Tiago. ─ Logo começa a procurar um novo emprego.

Tiago relaxou e adormeceu.

Passaram-se três dias e Beatriz parecia não ter interesse em buscar trabalho. Ela aproveitava suas férias e decidiu observar até onde isso iria.

Em um dos dias, Tiago chegou com um sorriso:

─ Querida, arranjei um trabalho para você. Por que ainda está deitada? Confere estas duas vagas e manda o seu currículo.

Beatriz olhou para Tiago, sem entender.

─ Vamos, levanta do sofá e pega o laptop, ─ insistiu ele.

Obedientemente, Beatriz levantou-se.

─ Pois bem ─ pensou ela ─ veremos até onde ele está disposto a ir para me ver trabalhando novamente.

Após dez minutos, Tiago perguntou:

─ Já enviou?

─ Já enviei, ─ mentiu Beatriz.

No dia seguinte, Tiago ligava várias vezes, preocupado se ela havia sido chamada para uma entrevista, como se fosse uma questão de vida ou morte. À tarde, ligou e pediu a ela que se arrumasse, pois havia encontrado um “ótimo lugar”, e precisavam ir lá urgentemente.

Beatriz decidiu continuar a encenação. Foi com ele até a empresa, mas não entrou no escritório, ficando no corredor. Depois, disse a Tiago que não a aceitaram.

─ Que absurdo, por que você não consegue uma vaga em lugar nenhum? ─ reclamou ele.

Tiago levou Beatriz para casa e saiu para o trabalho. Ela então decidiu ver o computador dele, buscando entender o motivo do comportamento dele. Mesmo nunca fazendo isso, sentia que era preciso.

O primeiro histórico de busca a surpreendeu: “Como convencer a esposa a trabalhar”. Beatriz sorriu e foi além. Não encontrou flertes, mas muitas pesquisas sobre carros de luxo, o novo iPhone, relógios caros e consoles de jogos.

Ela refletiu, ligou os pontos e percebeu o que antes ignorava. Beatriz gastava apenas para o bem da família, incluindo o financiamento do carro, que estava em seu nome. Mas era Tiago quem o usava, e cedia de má vontade para ela.

Nunca pediu dinheiro a ele. Nas compras, pagava do próprio bolso. Não questionava os gastos de Tiago. E talvez devesse. Lembrou-se da cadeira de jogos, mais cara que a máquina de lavar, os relógios suíços e os iPhones em constante troca.

Beatriz tentou se lembrar de quando Tiago lhe havia dado flores pela última vez, mas não conseguiu. Presentes? Ele sempre a deixava escolher, mas pagava com seu cartão. Beatriz riu, nervosa, mas decidiu pôr à prova sua teoria.

No dia seguinte, perguntou a Tiago:

─ Querido, minha mãe precisa de um empréstimo. Você não vai se importar, não é? Especialmente com o seu salário recente. Podemos ajudar?

Tiago olhou para ela de um modo que a deixou assustada.

─ Me sustentar é uma coisa, sustentar sua mãe também? ─ retrucou ele, irritado.

─ Sustentar? ─ questionou Beatriz ─ Nosso frigorífico está vazio, é assim que me sustentas?

─ Deveria ter dito o que comprar. Além disso, não tenho mais dinheiro. Fiz um pedido de um console novo.

─ Ah é? ─ Beatriz mordeu o lábio. ─ E mais o quê?

─ Nada! Não há dinheiro. Paguei o pedido. Vou buscar à tarde.

─ E como vamos viver? ─ Beatriz estava incrédula.

─ Temos o básico. Até o próximo salário, dá para se virar. E você precisa perder peso; já dá para ver uma barriguinha.

Beatriz não conseguia acreditar no que ouvia. Este era o mesmo homem que até há pouco tempo se comportava de maneira totalmente diferente?

─ A propósito, o que você decidiu sobre o seu apartamento? Já colocou o anúncio de aluguel? ─ Tiago perguntou.

─ Ainda não, ─ respondeu Beatriz.

─ Então publique logo o anúncio, para encontrar inquilinos rapidamente. Você tem tempo agora. Afinal, está em casa. ─ disse ele.

─ Não ficarei mais em casa, Tiago. Vou arrumar minhas coisas e me mudar para meu apartamento, ─ afirmou Beatriz, com firmeza.

Ela começou a arrumar suas coisas. Tiago não fez nenhum movimento para detê-la. Talvez até estivesse feliz, aliviado em se livrar de uma “dependente”.

Quando estava na porta com a mala, Tiago surgiu da cozinha.

─ E como vai viver se não te contratam? ─ zombou ele.

─ Isso te preocupa, mesmo? ─ questionou ela.

─ Somos casados…─ respondeu ele.

─ Sim, é verdade, somos mesmo ─ assentiu Beatriz ─ Mas parece que só agora se lembrou disso. Agora, me dá a chave do carro. Está no meu nome e eu mesma quitei o financiamento. Isso posso provar facilmente.

─ Você subiu nas minhas costas e agora me culpa? Se queria alguém para bancar seus caprichos, deveria ter casado com um “pai rico”, ─ acusou Tiago, gritando.

Beatriz riu. Não esperava que sua inocente brincadeira tivesse tamanha repercussão.

─ Não me encostei em você. Estava apenas de férias. Voltarei ao trabalho na segunda-feira. Mas agora, isso não importa. Não te diz mais respeito.

Beatriz saiu, fechando a porta atrás de si.

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

Recompensa Surpreendente Faz Caminho de Volta para Casa Mais Alegre.