O meu nome é André. O meu pai, depois de perder a minha mãe, casou-se novamente com uma senhora que já tinha duas filhas.
Muitos anos passaram. Crescemos todos juntos. Até que, infelizmente, o meu pai sofreu um acidente e faleceu.
A minha madrasta revelou-se uma pessoa muito honrada. Fez questão de me deixar o apartamento.
Esse apartamento era da tua mãe. Agora deve ser teu!
O único pedido que ela me fez foi para deixar as filhas dela, Mariana e Lurdes, viverem no apartamento até acabarem os estudos. Ela própria voltaria para a aldeia de onde era. Aceitei sem hesitar.
Mariana e Lurdes eram muito diferentes, mas tinham ambas o mesmo sonho: arranjar um marido que tivesse casa própria.
Começou para mim uma vida cheia de regalias. Mariana preparava-me o pequeno-almoço, Lurdes tratava de passar a ferro as minhas roupas. As duas faziam os possíveis para me agradar.
Passado pouco tempo, com apenas dois meses de diferença, Mariana e Lurdes deram à luz as minhas filhas. Quando a minha madrasta soube que elas estavam grávidas, fez logo grande escândalo. Mas tanto Mariana como Lurdes recusaram-se a abortar. Decidiram ter as crianças.
Depois de pensar bem, achei que pagar um terço do meu salário em pensão de alimentos durante 18 anos era caro demais. Então resolvi comprar um apartamento recorrendo a um empréstimo bancário.
Troquei o meu apartamento por dois estúdios. Com o valor que sobrou, dei entrada para a casa que comprei para mim através do banco.
Entreguei cada estúdio a Mariana e Lurdes, para que ambas assinassem um documento a abdicar da pensão de alimentos. Passei alguns anos tranquilo.
Mas, passados quatro anos, recebi no trabalho um mandado de penhora por uma dívida enorme de pensão que supostamente estava em atraso.
Fui ter com as minhas irmãs para perceber o que se passava. Riram-se na minha cara. Disseram que os apartamentos tinham sido uma oferta, que tudo no contrato tinha sido feito de propósito para me enganar.
Fiquei sem o apartamento dos meus pais, a pagar empréstimo ao banco e ainda pensão de alimentos. Foi um período muito difícil.
A minha madrasta gozava com a situação:
Bem feito! Era o que merecias!
Mariana e Lurdes proibiram-me até de ver as minhas filhas. Tive de pedir dinheiro emprestado para regularizar a dívida da pensão e fui a tribunal para garantir o direito de ver as minhas meninas. E venci em tribunal.
No trabalho, tive uma conversa séria com os chefes e pedi que me pagassem quase tudo em dinheiro vivo. Agora envio uma pequena parte do salário oficialmente, e a pensão é mínima.
Levo as minhas filhas às sextas e entrego-as de volta aos domingos. Dou-lhes tudo o que pedem, levo-as a todo o tipo de diversões. Mariana e Lurdes não param de reclamar comigo, a gritar que não devia mimar tanto as filhas.
Pago também a dois rapazes para ficarem de olho nas minhas irmãs, e dizem-lhes sempre que ter filhas vai dificultar ainda mais conseguir marido.
Uma vez, na presença de uma técnica da Segurança Social, fui buscar as minhas filhas a casa da madrasta. Disse que as mães as tinham abandonado. Entrei com um pedido de regulação de responsabilidades parentais e agora as minhas filhas vivem comigo. Sou um bom pai. Quando vêem as mães, correm logo para mim e abraçam-me, cheias de medo de serem levadas. Não é à toa que lhes leio contos antigos sobre mães malvadas.
Quando Mariana e Lurdes perceberam o que tinha acontecido, eu já estava casado novamente, desta vez muito feliz.
Propus um acordo às minhas irmãs: devolverem-me os meus apartamentos, e eu entregava-lhes as filhas. Não hesitaram e aceitaram.
Agora tenho uma vida tranquila. Arrendo os dois apartamentos e já paguei o empréstimo do meu próprio apartamento.
Não me deixei enganar e dei a volta à situação, mostrando às minhas irmãs que nem sempre é fácil passar por cima dos outros.





