Casei muito jovem, movida por um grande amor. Namorámos durante quatro anos antes de trocarmos alianças e tornarmo-nos marido e mulher. Vivemos juntos muitos desafios lado a lado.
Já partilhamos o mesmo lar há mais de seis anos. Confio plenamente no meu marido e em mim também. O meu marido, Joaquim, é uma pessoa muito meiga, carinhosa e atenta. Está sempre pronto a ajudar nas tarefas de casa. Não é o homem mais corajoso nem o mais forte. Difícil também considerá-lo bonito, mas tem uma alma extraordinariamente bondosa e uma energia positiva que contagia e dá força para ultrapassar os momentos mais complicados.
Apesar de tudo isso, o Joaquim é bastante indeciso e incapaz de tomar decisões radicais, preferindo sempre manter-se na sua zona de conforto e evitando mudanças. É muito tímido e de uma honestidade irrepreensível. Em seis anos de convivência, não mudou nada.
O meu marido não tem vontade de cuidar de si nem da sua saúde. Qualquer mudança assusta-o. Ele é quase dez anos mais velho do que eu. Aos meus vinte e seis anos, adoro a vida. Tenho um bom emprego, consegui comprar o meu próprio carro, e continuo a pagar o empréstimo da nossa casa. Recentemente, uma amiga, Leonor, perguntou-me: Para que é que precisas mesmo dele?
Essa pergunta ficou a ecoar no meu coração, e desde então, comecei a questionar-me: Afinal, para que é que preciso dele?
Ao pensar nisso, percebo que o valor de uma pessoa não se mede apenas por aquilo que conquista ou pelo que é aos olhos dos outros. É nas pequenas gentilezas, na companhia constante, no sorriso genuíno nos dias cinzentos, que encontramos a verdadeira felicidade. Às vezes, é preciso lembrar que o amor não é feito só de grandes feitos, mas de pequenos gestos e de uma dedicação silenciosa. O segredo está em saber reconhecer e valorizar o que realmente importa.





